O Teste de Adams é uma avaliação clínica simples e rápida utilizada para identificar sinais compatíveis com a escoliose, especialmente em crianças e adolescentes que ainda estão em fase de crescimento.
Também conhecido como teste de flexão anterior do tronco, ele permite observar assimetrias que podem ficar pouco evidentes quando a pessoa permanece em pé.
Sua principal finalidade é identificar a presença de elevação ou diferença de altura entre os lados do tronco, especialmente a chamada gibosidade, que pode estar relacionada à rotação vertebral característica da escoliose estrutural.
O Teste de Adams não substitui uma avaliação especializada, não mede o Ângulo de Cobb e não determina sozinho a gravidade de uma escoliose.
O Teste de Adams é uma ferramenta de identificação e triagem. Um achado positivo indica a necessidade de aprofundar a investigação, mas não representa, isoladamente, a confirmação radiográfica da escoliose.
Como é feito o Teste de Adams?
Durante o Teste de Adams, o paciente permanece em pé e inclina lentamente o tronco para a frente, como se fosse tentar tocar os pés com as mãos.
Nessa posição, o avaliador observa a coluna, as costelas, a região torácica, a região lombar e a simetria geral do tronco.
Passo a passo do Teste de Adams
- O paciente permanece em pé, com os pés alinhados.
- Os joelhos permanecem estendidos.
- O tronco é inclinado lentamente para a frente.
- Os braços ficam relaxados em direção ao chão.
- O avaliador observa o tronco por trás, pela frente e de perfil.
- São verificadas diferenças de altura entre os lados das costas.
- Também são observadas as regiões torácica, toracolombar e lombar.
Quando um lado das costas permanece mais alto do que o outro durante a flexão, existe uma assimetria rotacional do tronco que deve ser analisada com maior profundidade.
A execução é simples, mas a interpretação não deve ser feita de forma isolada. O resultado precisa ser relacionado à idade, ao crescimento, às assimetrias corporais e aos demais achados da avaliação.
O que significa gibosidade no Teste de Adams?
A gibosidade é uma elevação visível de um lado do tronco durante a flexão anterior. Ela pode aparecer na região torácica, toracolombar ou lombar, dependendo do padrão da deformidade.
Na escoliose estrutural, a coluna não apresenta apenas um desvio lateral. Existe também um componente de rotação vertebral que modifica o posicionamento das costelas, dos músculos e dos tecidos ao redor da coluna.
Na região torácica, essa rotação pode produzir uma maior projeção das costelas em um dos lados. Na região lombar, pode ser observada uma diferença no relevo muscular.
A gibosidade é, portanto, um sinal clínico relevante. Entretanto, sua presença não informa sozinha o valor do Ângulo de Cobb nem a magnitude completa da escoliose.
O que significa um resultado positivo no Teste de Adams?
Um resultado é considerado positivo quando a flexão anterior evidencia uma assimetria persistente entre os lados do tronco.
Esse achado pode sugerir a presença de rotação vertebral e de uma deformidade estrutural, mas não confirma sozinho a escoliose radiográfica.
O Teste de Adams responde principalmente à seguinte pergunta:
Existe uma assimetria no tronco que sugere a presença de rotação?
Ele não responde, isoladamente:
- qual é o valor do Ângulo de Cobb;
- qual é o padrão completo da curva;
- qual é o risco de progressão;
- qual tratamento está indicado;
- se a curva está progredindo ou melhorando.
Quando o Teste de Adams revela uma assimetria significativa, o próximo passo é aprofundar a investigação com uma avaliação clínica especializada.
O médico especialista em coluna poderá realizar a avaliação médica e, quando indicado, solicitar radiografia panorâmica da coluna vertebral em ortostática.
Por que o Teste de Adams é importante em crianças?
O Teste de Adams é particularmente relevante durante a infância e a adolescência porque a escoliose idiopática pode se desenvolver e progredir durante o crescimento.
Nas fases iniciais, a escoliose frequentemente não produz dor nem limitações claras. Por isso, assimetrias corporais discretas podem passar despercebidas por bastante tempo.
Entre os sinais que podem ser observados estão:
- um ombro mais alto que o outro;
- uma escápula mais evidente;
- diferença no contorno da cintura;
- inclinação do tronco para um lado;
- diferença aparente no alinhamento da pelve;
- elevação de um lado das costas durante a flexão anterior.
Pais e responsáveis podem perceber essas diferenças, mas não devem usar a observação doméstica para concluir que existe ou não existe escoliose.
A identificação precoce permite avaliar o risco de progressão e definir se o paciente precisa apenas de acompanhamento ou de tratamento conservador específico.
O Teste de Adams também pode evidenciar hipercifose?
Durante a flexão do tronco, a observação de perfil também pode tornar mais evidente uma acentuação do contorno posterior da coluna.
Esse achado pode levantar a suspeita de hipercifose, especialmente quando existe uma angulação ou proeminência localizada que permanece evidente durante o movimento.
Entretanto, o Teste de Adams não mede nem confirma sozinho a hipercifose. A avaliação do plano sagital exige uma análise clínica específica e, quando necessário, exame radiográfico de perfil.
Portanto, o teste pode ajudar a identificar um sinal de alerta tanto no plano frontal e rotacional quanto no contorno sagital da coluna.
O papel do escoliômetro no Teste de Adams
Durante a avaliação especializada, o Teste de Adams pode ser associado ao uso do escoliômetro.
O escoliômetro é um instrumento utilizado para medir o Ângulo de Rotação do Tronco, também conhecido pela sigla ATR.
Essa medida ajuda a quantificar a assimetria observada durante a flexão anterior. Em vez de depender somente da observação visual, o profissional registra uma medida objetiva do relevo e da rotação do tronco.
A medida do ATR pode auxiliar:
- na triagem inicial;
- no registro das assimetrias do tronco;
- no acompanhamento clínico;
- na decisão sobre a necessidade de investigação radiográfica;
- na comparação entre avaliações realizadas ao longo do crescimento.
O escoliômetro não substitui a radiografia e não mede o Ângulo de Cobb.
No Instituto de Escoliose Patricia Italo Mentges, o ATR é interpretado em conjunto com a idade, a fase de crescimento, o histórico familiar, o padrão corporal, os demais sinais clínicos e os exames de imagem, quando indicados.
Aplicativos para smartphone substituem o escoliômetro?
Existem aplicativos para smartphones que utilizam os sensores internos do aparelho para estimar a inclinação do tronco durante a flexão anterior.
Essas ferramentas podem reproduzir parcialmente a função de um inclinômetro, mas não devem ser consideradas equivalentes a uma avaliação clínica padronizada.
Aplicativos não substituem o escoliômetro utilizado por um profissional, a avaliação especializada ou a radiografia quando indicada. Medidas realizadas em casa não devem ser usadas isoladamente para concluir que uma escoliose surgiu, progrediu ou melhorou.
Pequenas mudanças na posição dos pés, dos joelhos, dos braços, da pelve ou do próprio smartphone podem modificar a medida obtida.
Para acompanhar um paciente, é necessário repetir o exame com técnica, posicionamento e referências consistentes.
Quando a radiografia é necessária?
A radiografia pode ser indicada quando o Teste de Adams mostra gibosidade, quando o ATR é significativo, quando existe assimetria importante do tronco ou quando há suspeita clínica de escoliose.
O exame utilizado para confirmar e medir a escoliose é a radiografia panorâmica da coluna vertebral em ortostática, nas incidências frontal e de perfil.
Esse exame permite:
- confirmar se existe escoliose radiográfica;
- medir o Ângulo de Cobb;
- identificar o padrão das curvas;
- analisar o alinhamento global da coluna;
- avaliar o plano sagital;
- observar sinais relacionados à maturidade esquelética.
Para uma análise global, a radiografia deve incluir toda a coluna em posição ortostática, além das estruturas necessárias para a interpretação do equilíbrio corporal e da maturidade esquelética.
A radiografia não deve ser solicitada indiscriminadamente, mas também não deve ser adiada quando existem sinais clínicos relevantes, especialmente durante o crescimento.
Para compreender como os diferentes dados clínicos e radiográficos são reunidos, consulte também a página sobre diagnóstico da escoliose .
Quando procurar uma avaliação especializada?
Uma avaliação especializada deve ser procurada quando existe qualquer sinal persistente de assimetria corporal, principalmente em crianças e adolescentes.
Também merecem atenção:
- resultado positivo no Teste de Adams;
- gibosidade torácica, toracolombar ou lombar;
- mudança rápida na aparência do tronco;
- assimetria de ombros, escápulas ou cintura;
- histórico familiar de escoliose;
- suspeita de hipercifose;
- fase de crescimento acelerado;
- radiografia anterior mostrando uma curva que necessita acompanhamento.
No Instituto de Escoliose Patricia Italo Mentges, o Teste de Adams não é interpretado isoladamente.
A avaliação considera o padrão tridimensional do tronco, a fase de crescimento, a rotação, o equilíbrio corporal, o plano sagital, o histórico clínico e os exames necessários para definir a conduta.
Conclusão
O Teste de Adams é uma ferramenta simples, mas extremamente importante na identificação inicial de sinais compatíveis com a escoliose.
Ele permite observar assimetrias rotacionais do tronco, especialmente a gibosidade, e pode também revelar alterações relevantes do contorno sagital, como a suspeita de hipercifose.
Entretanto, o teste não substitui a radiografia, não mede o Ângulo de Cobb e não define sozinho a gravidade da deformidade.
Quando existe um achado positivo, o próximo passo é realizar uma avaliação especializada e, quando indicada, uma radiografia panorâmica da coluna vertebral em ortostática.





