Diagnóstico · Avaliação

Avaliação da EscolioseO alicerce do tratamento conservador conforme as Diretrizes SOSORT

Uma avaliação completa, tridimensional e cientificamente fundamentada é o que define um tratamento seguro e eficaz para cada paciente.

Dra. Patricia Italo Mentges Instituto de Escoliose
⏱ 8 min de leitura 📅 Atualizado em junho de 2026

A avaliação da escoliose constitui o alicerce fundamental para um tratamento conservador eficaz e seguro. No Instituto de Escoliose, nossa abordagem segue rigorosamente as Diretrizes SOSORT 2018 (Sociedade Científica Internacional de Tratamento Ortopédico e Reabilitação da Escoliose), garantindo que cada paciente receba uma avaliação completa, cientificamente fundamentada e personalizada para suas necessidades específicas.

Por que uma avaliação especializada é fundamental

A escoliose idiopática é frequentemente uma condição progressiva, especialmente durante os períodos de crescimento. Uma avaliação fisioterapêutica precisa e detalhada não apenas identifica as características específicas da deformidade espinhal, mas também permite estimar o risco de progressão e estabelecer estratégias terapêuticas individualizadas.

O diagnóstico precoce é crucial para determinar o prognóstico e as melhores opções de tratamento não cirúrgico. Nossos fisioterapeutas possuem treinamento especializado em métodos reconhecidos internacionalmente, incluindo o Método Schroth e a Abordagem SEAS (Scientific Exercise Approach to Scoliosis). Esta formação específica garante que cada avaliação seja tecnicamente refinada e clinicamente relevante.

Metodologia baseada nas Diretrizes SOSORT 2018

Seguir as diretrizes SOSORT garante padronização internacional, segurança no uso de exames de imagem e alinhamento entre todos os profissionais envolvidos no cuidado. As recomendações SOSORT 2018 enfatizam a importância da avaliação multidimensional, considerando aspectos clínicos, radiográficos, funcionais e psicossociais para um tratamento verdadeiramente personalizado.

Protocolo de avaliação inicial completa (90 minutos)

Nossa avaliação inicial tem duração de 90 minutos e segue um protocolo estruturado que abrange todos os aspectos necessários para uma compreensão tridimensional da condição, permitindo desenvolver um plano de tratamento individualizado.

Anamnese abrangente

Iniciamos com um histórico detalhado que explora todo o caminho de reabilitação percorrido, incluindo tratamentos anteriores, uso de colete para escoliose, especialistas consultados e exames já realizados. Investigamos a história familiar, marcos de crescimento (idade, estirão recente, menarca quando aplicável), atividades físicas e objetivos pessoais do paciente.

Avaliação postural e análise tridimensional

Realizamos uma inspeção postural detalhada nos planos frontal, sagital e transversal, incluindo documentação fotográfica padronizada nas vistas anterior, posterior e laterais (mediante consentimento). O teste de Adams com escoliômetro permite medir o ângulo de rotação do tronco (ATR), enquanto avaliamos o equilíbrio global, gibosidade costal/lombar, alinhamento pélvico e da cintura escapular.

Análise de exames de imagem

Quando disponíveis, revisamos radiografias realizando medições do ângulo de Cobb, identificação das vértebras terminais e do ápice das curvas. Avaliamos a rotação vertebral, maturidade esquelética (Risser, Sanders) para estimar risco de progressão, e classificamos o padrão da curva para fins clínicos. Priorizamos sempre protocolos de baixa dose radiológica, conforme recomendações SOSORT/SRS.

Avaliação da função pulmonar

A função respiratória é avaliada através de espirometria básica (Capacidade Vital Forçada – CVF e VEF) e medida da expansibilidade torácica. Esta avaliação é especialmente importante em curvas torácicas significativas que podem impactar a capacidade respiratória.

Medidas antropométricas e testes físicos

Coletamos medidas de estatura, envergadura e, quando indicado, peso/IMC. Avaliamos a hipermobilidade articular através do escore de Beighton, realizamos testes de comprimento muscular (isquiotibiais, iliopsoas, peitorais) e conduzimos testes funcionais de controle motor conforme necessário.

Triagem neurológica

Embora a escoliose idiopática não apresente déficits neurológicos por definição, realizamos triagem básica (força, sensibilidade, reflexos) para descartar escoliose neuromuscular ou outras condições e identificar sinais de alerta quando necessário.

Questionários de qualidade de vida

Aplicamos instrumentos validados como o SRS-22r, escalas de dor, questionários de percepção estética do tronco (TAPS/TRACE) e, quando há uso de colete, instrumentos específicos (BrQ/BSSQ). Estes questionários nos permitem compreender o impacto psicossocial da escoliose.

Síntese clínica e plano personalizado de tratamento

Integramos todos os dados clínicos, radiográficos e de maturidade para estimar o risco de progressão e classificar o padrão da curva. Definimos metas funcionais e estéticas realistas, alinhadas às prioridades de cada paciente, e desenvolvemos um plano de manejo que pode incluir:

  • Observação ativa com reavaliações periódicas;
  • Exercícios específicos para escoliose (Schroth/SEAS) focados em autocorreção 3D;
  • Recomendações sobre atividade física, esportes e ergonomia;
  • Discussão de critérios para uso de colete quando indicado;
  • Encaminhamentos médicos adicionais conforme necessário.

Comunicação interdisciplinar no tratamento

Promovemos a comunicação interdisciplinar entre todos os profissionais envolvidos no cuidado do paciente. As conclusões e recomendações da avaliação são registradas em relatório detalhado e compartilhadas, com autorização, com ortopedistas, médicos de família, protesistas e outros profissionais envolvidos.

Quando procurar avaliação da escoliose

Recomendamos avaliação especializada nos seguintes casos:

  • Suspeita de escoliose identificada em exame médico ou escolar;
  • Assimetria do tronco visível ou gibosidade;
  • Dor nas costas persistente em adolescentes;
  • História familiar de escoliose;
  • Acompanhamento de escoliose já diagnosticada;
  • Segunda opinião sobre tratamento de escoliose.

Preparação e seguimento

Para otimizar sua avaliação, recomendamos trazer radiografias e relatórios recentes (idealmente dos últimos 6-12 meses), exames complementares, lista de tratamentos já realizados, roupas confortáveis que permitam avaliar a postura, e a lista de medicamentos em uso.

Estabelecemos um cronograma de reavaliações personalizado: pacientes em crescimento são reavaliados a cada 3-4 meses; adultos, geralmente a cada 6-12 meses. Novas radiografias são solicitadas apenas quando clinicamente justificadas, priorizando a segurança radiológica.

TRATAMENTO CONSERVADOR Da avaliação ao tratamentoum caminho seguro e individualizado Após a avaliação completa, definimos juntos o melhor plano de tratamento conservador para o seu caso, com base em evidências e nas Diretrizes SOSORT.

❓ Perguntas frequentes

Como é feita a avaliação da escoliose?

A avaliação da escoliose é uma consulta de 90 minutos que inclui anamnese completa, análise postural 3D, teste de Adams com escoliômetro, revisão de radiografias para medição do ângulo de Cobb, avaliação respiratória por espirometria e testes físicos funcionais.

Preciso levar radiografia para a avaliação?

Se você tiver radiografias da coluna recentes, traga-as. Se não tiver, realizamos uma avaliação clínica completa e, se necessário, seu médico poderá solicitar radiografia de baixa dose conforme protocolos SOSORT.

A avaliação da escoliose dói?

Não. A avaliação utiliza apenas testes não invasivos e medidas funcionais. Todos os procedimentos são indolores e seguros.

Qual a diferença entre avaliação e diagnóstico da escoliose?

O diagnóstico médico é realizado por médico ortopedista. A avaliação fisioterapêutica traduz esse diagnóstico em um plano de tratamento conservador personalizado com exercícios específicos.

Em que idade devo fazer avaliação da escoliose?

Recomendamos avaliação sempre que houver suspeita. Em crianças e adolescentes em crescimento, quanto antes melhor para reduzir o risco de progressão da escoliose.

A avaliação indica quando usar colete para escoliose?

Nossa avaliação fornece dados para discussão com seu ortopedista sobre critérios para uso de colete quando os parâmetros SOSORT/SRS são atendidos. A avaliação ajuda a fundamentar essa decisão médica.

Dra. Patricia Italo Mentges
Dra. Patricia Italo Mentges
Fisioterapeuta especialista em escoliose
Fundadora do Instituto de Escoliose
Conteúdo validado por

Dra. Patricia Italo Mentges

A Dra. Patricia Italo Mentges é fisioterapeuta com mais de 25 anos de experiência clínica no tratamento conservador da escoliose. Fundadora do Instituto de Escoliose e do Projeto Escoliose Brasil — pioneiro no Brasil desde 2011 —, foi a primeira fisioterapeuta brasileira a se tornar membro da SOSORT (2012) e a primeira brasileira certificada em SEAS pelo ISICO, em Milão, Itália. É instrutora certificada pelo ISST em Método Schroth e integrou o Comitê Científico da SOSORT entre 2020 e 2021.

Escoliose não é falta de postura e não passa sozinha. É uma condição real da coluna — e quanto mais cedo é identificada e acompanhada, maiores são as chances de um tratamento eficaz sem cirurgia.
SOSORT — Membro desde 2012 ISST Schroth — Instrutora certificada CREFITO-2 Primeira brasileira certificada SEAS
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