68 recomendações baseadas em evidências, elaboradas por 54 especialistas de 24 países — o maior consenso internacional para tratamento conservador da escoliose idiopática. Classificações, órteses, PSSE, protocolos e níveis de evidência.

As diretrizes SOSORT escoliose 2016 consolidam o consenso científico internacional mais robusto para o tratamento conservador da escoliose idiopática. Desenvolvidas por 54 especialistas de 24 países, reúnem 68 recomendações baseadas em evidências — de classificações e diagnóstico a protocolos de órteses, exercícios PSSE e acompanhamento clínico.

Este é o mais completo recurso em português sobre as diretrizes SOSORT escoliose 2016, elaborado pelo Instituto de Escoliose com base nas 68 recomendações do consenso internacional.
Neste guia, você encontrará informações essenciais sobre as diretrizes SOSORT para escoliose: desde a definição clínica e epidemiologia até os protocolos terapêuticos para médicos, fisioterapeutas e famílias que buscam o melhor tratamento conservador disponível.
As diretrizes SOSORT escoliose organizam a EI por quatro critérios com implicações clínicas e terapêuticas diretas.
| Tipo | Idade de Início | Características | Prognóstico |
|---|---|---|---|
| Infantil | 0–3 anos | Rara; M:F 1:1; 70–90% resolução espontânea | Variável — monitoramento rigoroso |
| Juvenil | 4–9 anos | Progressão mais provável; vigilância contínua | Risco moderado de progressão |
| Adolescente | 10–18 anos | 85–90% dos casos; início no estirão puberal | Alto risco durante crescimento |
| Adulto | >18 anos | Progressão lenta; foco em sintomas e QoL | 0,5–2°/ano em curvas >50° |
| Severidade | Ângulo de Cobb | Implicações Clínicas |
|---|---|---|
| Leve | 10–20° | Observação ou PSSE como tratamento primário |
| Moderada | 20–40° | Órtese + PSSE (tratamento combinado) |
| Grave | 40–50° | Órtese em tempo integral ou avaliação cirúrgica |
| Muito Grave | >50° | Indicação cirúrgica provável |
Cervical (C1–C6) · Cervicotorácica (C7–T1) · Torácica (T2–T11) · Toracolombar (T12–L1) · Lombar (L2–L4) · Lombossacra (L5–S1)
Simples: uma curvatura principal
Dupla: duas curvaturas estruturais
Tripla: três curvaturas (raro)
A localização topográfica determina o tipo de órtese e orienta o programa de exercícios PSSE personalizado.
Usada especificamente para prescrição de órteses Chêneau nas diretrizes SOSORT escoliose. Considera forma 3D, rotação vertebral, flexibilidade e equilíbrio sagital.
| Tipo | Descrição | Características Radiográficas |
|---|---|---|
| A1 | Curva torácica única (3 curvas) | T5–T12, ângulo >30°, sem descompensação lateral |
| A2 | Curva torácica única (4 curvas) | Similar ao A1, contra-curva lombar mais significativa |
| B1 | Curva torácica dupla | Curva torácica principal + superior estrutural |
| B2 | Curva toracolombar dupla | T10–L2 como vértice principal |
| C | Curva lombar ou toracolombar única | L1–L4, desvio lateral significativo |
| Ângulo de Cobb | Razão M:F | Interpretação |
|---|---|---|
| 10–20° | 1,3:1 a 1,5:1 | Leve predominância masculina |
| 20–30° | 1:1,5 | Equilíbrio entre sexos |
| >30° | 1:5,4 a 1:7 | Forte predominância feminina — maior risco de progressão |
20–40% têm histórico familiar. Genes candidatos: CHD7, GPR126, LBX1, CHL1, DSCAM. Herança provavelmente poligênica.
Assimetria no crescimento vertebral (Hueter-Volkmann), desequilíbrio muscular paraespinhal, alterações no disco intervertebral.
Disfunção no controle postural, alterações proprioceptivas e vestibulares, assimetrias na função neuromuscular.
Influência de hormônios do crescimento, vitamina D, cálcio e fatores perinatais. Teoria da melatonina ainda controversa.
As diretrizes SOSORT escoliose estabelecem critérios rigorosos e objetivos para qualificação de médicos especialistas em tratamento conservador.
Mínimo 2 anos de treinamento formal sob supervisão direta de médico com ≥5 anos de experiência em tratamento conservador.
Mínimo 2 anos de prática contínua pós-treinamento. Volume: ≥45 órteses/ano e ≥150 pacientes/ano.
Domínio do teste de Adams, medição de Cobb, escala de Risser, prescrição de múltiplos tipos de órteses e das principais escolas PSSE.
Participação em congressos e workshops SOSORT, atualização científica contínua e manutenção do volume clínico mínimo em equipe multidisciplinar.
As diretrizes SOSORT escoliose definem quatro categorias de órteses com tempos, indicações e critérios de eficácia distintos.
Uso: 8–12 h/dia (no sono)
Indicação: Curvas leves a moderadas (20–35°)
Exemplos: Charleston, Providence
Uso: 12–20 h/dia
Indicação: Curvas moderadas (25–40°)
Exemplo: Boston Brace (uso parcial)
Uso: 20–24 h/dia
Indicação: Curvas moderadas a graves (30–45°)
Exemplos: Chêneau, Milwaukee, Boston, Lyon, SPoRT
Uso: 20–24 h/dia
Tipo: Órteses flexíveis/dinâmicas
Mecanismo: Correção dinâmica e reeducação neuromuscular
| Ângulo de Cobb | Risser | Indicação SOSORT |
|---|---|---|
| 20–25° | 0–2 | Considerar colete + PSSE (curvas progressivas) |
| 25–30° | 0–3 | Colete recomendado + PSSE |
| 30–40° | 0–4 | Colete fortemente recomendado + PSSE |
| 40–45° | 0–2 | Colete integral ou avaliação cirúrgica |
| >45° | Variável | Avaliação cirúrgica primária |
| Fase do Tratamento | Consultas | Radiografias |
|---|---|---|
| Observação (curvas <20°) | A cada 6 meses | A cada 6–12 meses |
| Colete inicial (primeiros 6 meses) | Mensal | 4–6 semanas após início |
| Colete estabilizado | Trimestral | A cada 6 meses |
| PSSE isolado | Trimestral | A cada 6–12 meses |
| Desmame do colete | Trimestral | Trimestral |
| Pós-maturidade (Risser 5) | Anual | Anual |
Os PSSE (Physiotherapeutic Scoliosis-Specific Exercises) são sistemas terapêuticos recomendados pelas diretrizes SOSORT para atuação tridimensional na deformidade.
Correção ativa simultânea da curvatura lateral, rotação e alteração sagital.
Fortalecimento da musculatura estabilizadora profunda e superficial do tronco.
Incorporação dos padrões corretivos nas atividades cotidianas do paciente.
Consciência corporal e auto-gestão do tratamento ao longo do crescimento.
Respiração rotacional assimétrica, alongamento e fortalecimento específicos para cada padrão de curva. Referência internacional nas diretrizes SOSORT escoliose.
Auto-correção ativa, estabilização e integração nas atividades da vida diária. Amplamente validado por estudos controlados.
Deflexão, desrotação e educação postural. Integrado ao uso do colete Lyon.
BSPTS combina princípios Schroth com adaptações da escola espanhola. DoboMed enfatiza movimento tridimensional funcional.
| Ângulo de Cobb | Recomendação PSSE | Nível de Evidência |
|---|---|---|
| 10–20° | PSSE como tratamento primário | II |
| 20–40° | PSSE + Colete (tratamento combinado) | I–II |
| >40° | PSSE + Colete (ou pré/pós-cirúrgico) | III–IV |
2–3 sessões/semana com fisioterapeuta + exercícios diários em casa de 30–45 minutos.
1 sessão/semana com fisioterapeuta + exercícios diários em casa de 20–30 minutos.
Sessões mensais + programa domiciliar contínuo durante todo o período de crescimento.
Evidência nível V–VI. Pode ser usada como adjuvante, mas não substitui colete ou PSSE.
Evidência insuficiente. Não recomendada como tratamento primário pelas diretrizes SOSORT escoliose.
Vitamina D e cálcio são importantes para saúde óssea, mas sem evidência de efeito direto na progressão da escoliose.
| Atividade | Recomendação | Observações |
|---|---|---|
| Esportes gerais | ✅ Encorajado | Sem restrições específicas |
| Natação | ✅ Encorajado | Ótimo para condicionamento — não corrige escoliose |
| Ginástica rítmica | ⚠️ Monitorar | Alta demanda de flexibilidade; acompanhamento próximo |
| Dança / Ballet | ⚠️ Monitorar | Atenção a hiperlordose e retificação |
| Musculação | ✅ Permitido | Técnica correta e orientação profissional |
| Curva | Impacto Respiratório |
|---|---|
| >50° torácica | Início de risco de restrição respiratória |
| >70° | Restrição moderada a grave (capacidade vital reduzida) |
| >100° | Cor pulmonale e insuficiência respiratória (raro na EI) |
| Nível | Definição | Nº de Recomendações |
|---|---|---|
| I | Revisão sistemática de RCTs de alta qualidade | 3 |
| II | RCT individual de alta qualidade | 7 |
| III | Estudo controlado não-randomizado | 7 |
| IV | Série de casos ou estudo de coorte | 15 |
| V | Opinião de especialista baseada em experiência clínica | 32 |
| VI | Opinião de especialista sem experiência clínica significativa | 6 |
| Força | Definição | Implicação Clínica |
|---|---|---|
| A | Evidência forte; benefício supera riscos | Deve ser seguida na maioria dos casos |
| B | Evidência moderada; benefício provável | Geralmente recomendada |
| C | Evidência fraca; benefício e riscos equilibrados | Opcional — depende do contexto clínico |
| D | Evidência de ineficácia ou dano | Não recomendada pelas diretrizes SOSORT |
Detecção precoce de curvas progressivas, início de tratamento em fase favorável, redução de cirurgias. Idade-alvo: 10–14 anos. Método: Teste de Adams + escoliômetro (ATR >5–7° → avaliação médica).
Custo-efetividade questionada por USPSTF, risco de sobre-tratamento de curvas não-progressivas, exposição radiológica (mitigada por técnicas de baixa dose).
Clínica completa + radiológica + qualidade de vida (SRS-22, BSSQ, TAPS).
Cobb, topográfica, Risser, Rigo-Chêneau.
Definição individualizada de metas terapêuticas.
Observação, PSSE, colete ou cirurgia — conforme indicação.
Protocolo de frequência de consultas e radiografias por fase.
Ajustes terapêuticos contínuos conforme resposta ao tratamento.
O Instituto de Escoliose é o primeiro centro brasileiro membro da SOSORT, com protocolos 100% alinhados às diretrizes SOSORT escoliose desde 2011.
Fisioterapeutas certificados em Schroth e SEAS, ortesistas especializados em órteses 3D e psicólogos com experiência em escoliose.
Avaliação diagnóstica completa, Colete 3D Schroth-Chêneau com IA, programa PSSE supervisionado e acompanhamento longitudinal completo.
Rio de Janeiro: Rua Alice, 321 — Laranjeiras, RJ
São Paulo: Av. Ver. José Diniz, 3135, Conj. 101 — Campo Belo, SP
Com diagnóstico precoce e adesão rigorosa ao protocolo das diretrizes SOSORT escoliose, 72–90% das curvas podem ser estabilizadas sem cirurgia.
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